A previsão de retorno do El Niño em 2026 tem gerado preocupação entre especialistas por possíveis impactos no abastecimento de água no estado de São Paulo. O fenômeno, associado ao aquecimento das águas do oceano Pacífico, altera padrões de chuva e temperatura em várias regiões do mundo.
Na região metropolitana de São Paulo, o principal ponto de atenção é o sistema Cantareira, responsável por cerca de metade do abastecimento de água. No início do outono deste ano, o nível dos reservatórios estava em 42,7%, abaixo dos índices registrados no mesmo período de 2023 e 2024, quando superavam 70%.
Segundo especialistas, o volume atual reflete a falta de chuvas nos últimos verões. Mesmo com precipitações nos próximos meses, a reposição da água tende a ser limitada por fatores como evaporação e o período mais seco do ano, comum no outono e no inverno.
A previsão é de que o El Niño se forme entre o fim do inverno e o início da primavera. Modelos meteorológicos indicam intensidade de moderada a forte, mas a confirmação depende da evolução do fenômeno nos próximos meses.
A SP Águas informa que monitora o cenário com base em dados de instituições nacionais e internacionais. A projeção atual aponta 62% de probabilidade de ocorrência do fenômeno entre junho e agosto, com possível permanência até o fim do ano. Nesse período, a tendência é de aumento de temperatura acima da média.
De acordo com a agência, a gestão dos recursos hídricos segue com planejamento preventivo. Algumas regiões do estado já operam sob medidas de restrição, como limitação de novas autorizações para uso da água, priorizando abastecimento humano e animal.
Meteorologistas do Climatempo destacam que o período seco pode ser mais intenso neste ano. A combinação de menor volume de chuva e temperaturas mais altas pode reduzir ainda mais os níveis dos reservatórios e aumentar o consumo de água.
A Sabesp, responsável pelo abastecimento na região, afirma que o sistema já opera sob pressão e exige acompanhamento contínuo. A empresa informa que mantém investimentos em obras e integração entre sistemas para ampliar a oferta de água e reduzir perdas.




