Segundo dados da Serasa Experian, o número de empresas inadimplentes no Brasil atingiu 8,9 milhões em 2025, o maior patamar da série histórica do indicador. O volume total das dívidas chegou a R$ 213 bilhões no período.
Na comparação com 2024, houve aumento de cerca de 2 milhões de empresas negativadas. Ainda de acordo com a Serasa Experian, mais de 90% desse total corresponde a micro e pequenas empresas, que concentram a maior parte das dívidas. O levantamento também mostra que esse grupo possui menor acesso a linhas de crédito estruturadas e maior dependência de recursos de curto prazo.
O cenário ocorre após um período prolongado de juros elevados ao longo de 2025, que encareceu o acesso ao crédito. Em março de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic para 14,75% ao ano, sinalizando o início de um processo de ajuste na política monetária.
Apesar da redução, a taxa básica de juros permanece em patamar elevado, o que mantém o custo do crédito alto para as empresas. Linhas como antecipação de recebíveis e financiamento de curto prazo seguem com taxas elevadas, o que pode impactar a margem operacional.
De acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria, 31% das empresas industriais utilizaram crédito de longo prazo para capital de giro entre fevereiro e julho de 2025, priorizando as despesas operacionais em vez de investimentos estruturais de modernização ou expansão.
Além disso, as projeções do Banco Central indicam que as expectativas de inflação permanecem acima da meta, com estimativas de 4,1% para 2026 e 3,8% para 2027. Já a projeção do Copom para o terceiro trimestre de 2027 é de 3,3% no cenário de referência.
Diante desse cenário, as empresas enfrentam dificuldades para equilibrar o fluxo de caixa no curto prazo. "O capital de giro disponível nem sempre cobre as despesas operacionais, o que exige alternativas para equilibrar o caixa", afirma Lucas Rocha, CRO da PayPay.
A PayPay, plataforma de tecnologia financeira, permite que as empresas utilizem o limite do cartão de crédito para realizar pagamentos como boletos, impostos e transferências via Pix, com possibilidade de parcelamento.
De acordo com a empresa, o modelo possibilita que fornecedores e credores recebam os valores à vista, enquanto a empresa pagadora organiza o pagamento de forma parcelada, o que, segundo Lucas Rocha, pode contribuir para o ajuste do fluxo de caixa.
Segundo o Banco Central, as mudanças na taxa de juros afetam o crédito por meio dos canais de transmissão da política monetária. Para Lucas Rocha, CRO da PayPay, o cenário ainda exige cautela na gestão do caixa das empresas.




