O Investindo por Aí, portal jornalístico especializado em economia nordestina, divulgou ranking das cidades mais ricas do Nordeste, indicando que a riqueza na região, quando analisada sob o prisma da equidade, se distancia das capitais. O resultado foi revelado em janeiro por meio de uma série de reportagens especiais apresentadas pelo portal e em newsletter própria.
O ranking reflete o Índice de Riqueza Ajustado por Equidade (IRAE), criado pelo portal. Ele substitui o Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios como única métrica para avaliar a riqueza. Pelo IRAE, a cidade mais rica no Nordeste é São Francisco do Conde (BA), seguida por Fernando de Noronha (PE) e Godofredo Viana (MA), enquanto Fortaleza (CE), Salvador (BA) e Recife (PE), os três maiores PIBs do Nordeste, se localizam apenas nas posições 58, 92 e 124.
O IRAE foi elaborado a partir do entendimento do Investindo Por Aí de que a riqueza não se resume ao volume de produção econômica. "A proposta é medir o equilíbrio entre crescimento econômico e justiça social, mostrando onde a prosperidade chega de forma mais ampla à população", afirma Reinaldo Glioche, editor do portal. Assim, o IRAE é calculado a partir da junção de três indicadores: Produto Interno Bruto (PIB) per capita, Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Índice de Gini, baseado em metodologia do italiano Conrado Gini e executada no Brasil a partir dos dados da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílio (PNAD). Este último compara a renda dos mais ricos à dos mais pobres, criando uma medida na escala de 0 a 1, sendo 1 o mais desigual. Os dados comparam os países e também os municípios.
O primeiro passo da metodologia aplicada pelo Investindo Por Aí incluiu colocar os indicadores em uma mesma régua. A solução do portal foi padronizar o valor de cada município dentro do universo de resultados do Nordeste, colocando-os dentro do intervalo numérico de 0 a 1. Assim, quanto mais próximo de 0, mais próxima do pior resultado está a cidade, enquanto os valores próximos a 1 indicam desempenho próximo ao melhor observado. Esse processo foi aplicado ao PIB per capita e ao IDHM.
Quanto ao Gini, em que 1 representa a medida ruim enquanto 0 representa a medida mais favorável, foi necessário inverter o índice. A solução adotada foi simples: subtrair o valor do Gini de 1. Dessa forma, criou-se uma medida de equidade, em que números mais altos passam a indicar melhor distribuição de renda. Para chegar ao IRAE, é feita a média aritmética do PIB e do IDHM, multiplicada pelo índice Gini adaptado.
O ranking
A reportagem especial elenca:
- São Francisco do Conde (BA)
- Fernando de Noronha (PE)
- Godofredo Viana (MA)
- São Gonçalo do Amarante (CE)
- Tasso Fragoso (MA)
- Alhandra (PB)
- Camaçari (BA)
- Maracanaú (CE)
- Várzea (PB)
- Ipojuca (PE)
Em primeiro lugar: São Francisco do Conde (BA) Fundada em 1658 no Recôncavo Baiano, a cidade prosperou primeiro com o açúcar no século XIX e depois com a instalação da Refinaria Landulpho Alves (1949). Seu PIB está entre os 20 maiores do Brasil, mas sua dependência do setor torna sua economia vulnerável. A abundância financeira do município precisou ser combinada ao IDHM. O rendimento médio formal per capita é de 5,7 salários mínimos. Quanto à infraestrutura, a cidade possui alta taxa de escolarização (99,24%) e 56,3% das residências têm saneamento adequado – índice superior à média brasileira.
Os elevados ganhos gerados pela atividade petrolífera acabam compensando e, em certa medida, mascarando as desigualdades do município. Esse contraste aparece de forma clara ao considerar outros indicadores sociais – e também ajuda a equilibrar o IRAE, segundo a metodologia proposta.
Onde estão as capitais? Em contraste com os rankings tradicionais, as dez cidades mais ricas do Nordeste elencadas pelo IRAE estão todas localizadas no interior dos estados da região. Entre as capitais, São Luís (MA) é a melhor posicionada, mas aparece apenas na 40ª colocação. Com IRAE de 0,0988, a capital maranhense supera Recife, que lidera a região em PIB per capita e em IDHM. Já Salvador e Fortaleza ficaram abaixo das expectativas, penalizadas pelas últimas posições em PIB per capita entre as capitais nordestinas e por resultados medianos em desenvolvimento humano. Maceió (AL), por sua vez, registrou o pior desempenho, com IRAE de 0,0125, figurando como a capital com a menor pontuação não só do Nordeste.
Como subir no ranking Os resultados do levantamento indicam que as cidades mais bem posicionadas no ranking são aquelas que combinam atividades industriais ou agrícolas de alto valor agregado, infraestrutura logística consolidada, políticas ativas de atração de investimentos, maior autonomia econômica em relação ao setor público e estímulo à diversificação produtiva.
Ao analisar o desempenho desses municípios, o portal conclui que a presença de políticas públicas bem estruturadas é decisiva para a redução das desigualdades e para a ampliação do bem-estar social. Iniciativas como saneamento estruturado, participação cidadã, governança ambiental, assistência social focalizada e saúde preventiva são apontadas como as mais relevantes a serem adaptadas por cidades que desejam avançar no IRAE.
O estudo ressalta, ainda, que, embora políticas municipais não sejam capazes de alterar sozinhas o Índice de Gini em escala nacional, seu impacto local é significativo.
Além de apresentar o ranking e detalhar a metodologia, o portal adotou uma política ativa de dados abertos, disponibilizando publicamente a tabela completa utilizada na construção do Índice de Riqueza Ajustado por Equidade. O material reúne informações de todos os 1.794 municípios do Nordeste e permite que qualquer leitor acompanhe como cada cidade chegou à sua posição no ranking.
Com isso, o leitor pode filtrar municípios, comparar realidades distintas, testar hipóteses e até reorganizar os dados a partir de outros critérios. "Nossa proposta é que a metodologia apresentada seja replicável, auditável e adaptável, podendo ser utilizada por pesquisadores, gestores públicos, jornalistas e outras instituições interessadas em avaliar riqueza para além do PIB", comenta Danielle Santoro, publisher do Investindo Por Aí.




