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quinta-feira, 19 março 2026
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Jovem encontra na leitura confiança para mudar o futuro

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Na comunidade de Manoelzinho, em Barreirinhas, no Maranhão, a infância de Maysa Batista começou como a de muitas crianças da Amazônia: cercada pela natureza, pelas histórias da comunidade e pelas descobertas do cotidiano. Foi ali, ainda entre os cinco e seis anos de idade, que ela atravessou pela primeira vez a porta de uma biblioteca comunitária da Vaga Lume, um espaço que, sem que ela soubesse, acabaria mudando o rumo da sua vida.

Naquela época, os livros eram apenas mais uma curiosidade entre tantas outras. Mas, com o passar do tempo, a biblioteca deixou de ser um lugar de visita ocasional e se transformou em parte da rotina. Entre rodas de leitura, brincadeiras, conversas e atividades culturais, Maysa começou a experimentar algo que muitas vezes nasce silenciosamente na infância: a confiança para se expressar e imaginar outros caminhos possíveis.

"Contar um pouco da minha trajetória me traz memórias muito afetivas, das brincadeiras, das rodas de conversa e das visitas às casas das pessoas para fazer mediação de leitura", lembra.

A biblioteca faz parte da rede de espaços comunitários apoiados pela Vaga Lume, organização que há mais de duas décadas atua nos nove estados da Amazônia Legal, fortalecendo bibliotecas comunitárias em comunidades ribeirinhas, rurais, indígenas e quilombolas, como centros de leitura, convivência e valorização da cultura local. Mais do que disponibilizar livros, a proposta é que esses espaços se tornem pontos de encontro e de formação para crianças e jovens das comunidades.

"Quando a biblioteca passa a fazer parte da rotina da comunidade, ela se torna um espaço vivo de troca de saberes, onde crianças e jovens podem descobrir suas potencialidades e ampliar seus horizontes", afirma Bianca de Riccio, gerente de Relações Institucionais da organização.

No caso de Maysa, esse processo aconteceu aos poucos. Primeiro como leitora curiosa, depois como participante ativa das atividades da biblioteca. Já adolescente, ela passou a colaborar diretamente com o espaço, participando como integrante do Programa Rede, iniciativa da Vaga Lume que promove o intercâmbio cultural entre jovens de comunidades da Amazônia e de São Paulo, com foco na temática "Nós e o Meio Ambiente".

Ao visitar casas da comunidade para compartilhar histórias, Maysa descobriu outra dimensão da leitura: a capacidade de criar vínculos, fortalecer identidades e ampliar horizontes. Hoje, aos 18 anos, Maysa vive em São Luís e cursa o sexto período de Enfermagem, um sonho que começou a ganhar forma justamente naquele pequeno espaço de livros na comunidade onde cresceu. "A Vaga Lume teve uma grande influência nas minhas conquistas, porque foi lá que comecei a construir quem eu sou hoje", afirma.

A trajetória da jovem revela algo que educadores repetem há décadas, mas que ganha contornos muito concretos em lugares como Manoelzinho: quando uma criança encontra um livro e um espaço que acolhe suas perguntas e curiosidades, ela não descobre apenas histórias. Descobre também a possibilidade de escrever a própria.

Histórias como a dela ajudam a evidenciar o sentido de duas datas celebradas em março: o Dia Mundial da Infância, em 20 de março, e o Dia da Juventude, em 28 de março. As efemérides lembram que garantir o direito à leitura desde cedo não é apenas oferecer acesso a livros, mas abrir portas para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes.

Para Bianca de Riccio, gerente de Relações Institucionais da Vaga Lume, iniciativas que fortalecem bibliotecas comunitárias ajudam a transformar esse princípio em realidade. "Quando uma criança cresce em um ambiente onde a leitura é valorizada e compartilhada, ela desenvolve não apenas o gosto pelos livros, mas também confiança, senso de pertencimento e autonomia para construir seus próprios caminhos. É assim que o direito à leitura na infância se conecta com a formação de jovens protagonistas de suas histórias", celebra. 

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