O Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da cidade de São Paulo e da região metropolitana, permanece com 20% do volume armazenado, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (7) pela Sabesp. O índice se mantém estável desde o início de dezembro, sem sinal de recuperação consistente.
Com esse patamar, seguem em vigor as restrições operacionais até o fim de janeiro, conforme informou a SP Águas, responsável pela gestão do sistema em conjunto com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O volume atual corresponde ao limite inferior da chamada faixa de restrição, que permite a retirada de até 23 mil litros de água por segundo, com complemento da transposição da bacia do rio Paraíba do Sul.
Caso o volume caia abaixo de 20%, o sistema entra em regime especial, a etapa mais severa das regras de operação, com redução da retirada para 15,5 mil litros por segundo, além da água transposta. Desde o final de setembro, o Cantareira opera com volume útil abaixo de 30%, chegando a registrar índices próximos de 19% na primeira quinzena de dezembro.
Uma nota técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, divulgada em 30 de dezembro, aponta que a reservação média do sistema no trimestre de outubro a dezembro foi de 22,8%, inferior aos 34% registrados no mesmo período de 2013, antes da crise hídrica enfrentada entre 2014 e 2016. O documento também indica previsão de chuvas dentro ou abaixo da média histórica no Sudeste ao longo de janeiro.
Segundo o Cemaden, mesmo em um cenário considerado favorável, com precipitações 25% acima da média histórica, o volume do Cantareira poderia atingir cerca de 60%, limite entre as faixas de atenção e normal. A projeção reforça a avaliação de que a situação de escassez tende a persistir no curto prazo.
O Cantareira integra o Sistema Integrado Metropolitano, que reúne outros seis reservatórios responsáveis pelo abastecimento da Grande São Paulo. De acordo com dados desta quarta-feira, o conjunto operava com 26,9% do volume equivalente. Entre as medidas adotadas estão a redução da pressão noturna na rede por cerca de dez horas e a intensificação das orientações de economia de água à população.
Para ampliar a oferta, o governo estadual tem antecipado obras e intervenções. Entre elas está a captação no rio Itapanhaú, na Serra do Mar, que acrescenta cerca de 2.500 litros por segundo ao sistema Alto Tietê. Também estão em andamento a ampliação da Estação de Tratamento de Água Rio Grande, com previsão de aumento de 400 litros por segundo, e a interligação Billings–Taiaçupeba, cuja conclusão está prevista para 2027, com expectativa de antecipação e acréscimo de 4.000 litros por segundo. A Sabesp também estuda projetos de recarga de mananciais com água proveniente do tratamento de esgoto, após novo processo de purificação, antes da devolução ao meio ambiente.




