A Sabesp iniciou as obras da Interligação Billings–Alto Tietê, empreendimento que permitirá a captação de até 4.000 litros por segundo de água bruta no braço do Rio Pequeno da represa Billings, em São Bernardo do Campo, com bombeamento para a represa Taiaçupeba, em Suzano, integrante do Sistema Alto Tietê. O objetivo é ampliar a oferta de água no Sistema Integrado Metropolitano e reforçar o abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, que atende cerca de 22 milhões de pessoas.
O investimento previsto é de R$ 1,4 bilhão. A obra integra o Plano de Segurança Hídrica previsto no novo contrato da Sabesp, firmado após a desestatização da companhia em 2024. O plano estabelece ações para ampliar a resiliência do abastecimento diante de períodos de estiagem e da irregularidade das chuvas, com horizonte até 2060.
A vazão prevista representa uma fração da capacidade de armazenamento da Billings, mas é considerada relevante para o reforço do sistema. Volume semelhante foi utilizado de forma emergencial durante a crise hídrica de 2014 e 2015. Desta vez, a solução será permanente, com infraestrutura fixa, acionável conforme critérios técnicos e operacionais. A água transferida passará por tratamento completo antes da distribuição, seja pelo Sistema Alto Tietê ou pelo Sistema Rio Grande.
A nova interligação permitirá que a água captada no Rio Pequeno alimente dois sistemas produtores. Atualmente, essa vazão já pode ser direcionada ao Sistema Rio Grande; com a obra, será possível o bombeamento direto ao Alto Tietê. A capacidade do sistema equivale ao abastecimento contínuo de cerca de 1,9 milhão de pessoas.
Segundo a Sabesp, a iniciativa faz parte de um conjunto de investimentos em segurança e resiliência hídrica. Até 2027, a companhia prevê aplicar mais de R$ 5 bilhões em obras na Região Metropolitana de São Paulo, com acréscimo estimado de 8.000 litros por segundo à oferta de água.
A nova estrutura foi projetada para superar limitações de uma interligação temporária operada entre 2015 e 2020. O sistema contará com tubulações enterradas, operação com energia elétrica e maior flexibilidade operacional. Para o Alto Tietê, serão construídas adutoras de aço com cerca de 38 quilômetros de extensão, ao longo de vias públicas, passando por São Bernardo do Campo, Santo André, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Suzano e Mogi das Cruzes.
Sistema Cantareira com volume baixo
O Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da cidade de São Paulo e da região metropolitana, permanece com 20% do volume armazenado, segundo dados divulgados pela Sabesp. O índice se mantém estável desde o início de dezembro, sem sinal de recuperação consistente.
Com esse patamar, seguem em vigor as restrições operacionais até o fim de janeiro, conforme informou a SP Águas, responsável pela gestão do sistema em conjunto com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O volume atual corresponde ao limite inferior da chamada faixa de restrição, que permite a retirada de até 23 mil litros de água por segundo, com complemento da transposição da bacia do rio Paraíba do Sul.
Caso o volume caia abaixo de 20%, o sistema entra em regime especial, a etapa mais severa das regras de operação, com redução da retirada para 15,5 mil litros por segundo, além da água transposta. Desde o final de setembro, o Cantareira opera com volume útil abaixo de 30%, chegando a registrar índices próximos de 19% na primeira quinzena de dezembro.
Uma nota técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, divulgada em 30 de dezembro, aponta que a reservação média do sistema no trimestre de outubro a dezembro foi de 22,8%, inferior aos 34% registrados no mesmo período de 2013, antes da crise hídrica enfrentada entre 2014 e 2016. O documento também indica previsão de chuvas dentro ou abaixo da média histórica no Sudeste ao longo de janeiro.
Segundo o Cemaden, mesmo em um cenário considerado favorável, com precipitações 25% acima da média histórica, o volume do Cantareira poderia atingir cerca de 60%, limite entre as faixas de atenção e normal. A projeção reforça a avaliação de que a situação de escassez tende a persistir no curto prazo.
O Cantareira integra o Sistema Integrado Metropolitano, que reúne outros seis reservatórios responsáveis pelo abastecimento da Grande São Paulo. De acordo com dados desta quarta-feira, o conjunto operava com 26,9% do volume equivalente. Entre as medidas adotadas estão a redução da pressão noturna na rede por cerca de dez horas e a intensificação das orientações de economia de água à população.




