Pular para o conteúdo
Black Friday

LGPD X Black Friday: veja como consumidores e empresas devem se cuidar

A Black Friday, está chegando, e o dia 24 de novembro deve como sempre movimentar a economia do país; o advogado e sócio-gestor do RGL Advogados, Rubens Leite, explica sobre os principais cuidados que devem ser tomados nessa data

Businesswoman doing online shopping on laptop with credit card in car
Businesswoman doing online shopping on laptop with credit card in car · Foto: Businesswoman doing online shopping on laptop with credit card in car

Uma das datas promocionais mais agitadas do ano está chegando, a Black Friday, que acontecerá no dia 24 de novembro, deve manter o nível do crescimento de vendas que aconteceu em 2022. Um estudo feito pela Méliuz revelou que os consumidores pretendem gastar 62% a mais nesse evento de descontos na comparação com o ano passado (2022). As lojas, sejam virtuais ou físicas, já estão se preparando para a data e lançando promoções. Em datas como essas, é importante que os consumidores não se deixem levar apenas por valores baixos demais — deve-se sempre ter cuidado na hora das compras e estar ciente de seus direitos.

De acordo com Rubens Leite, sócio-gestor do RGL Advogados, nessa época do ano é comum ouvir reclamações tanto de consumidores como das próprias empresas. “Os consumidores podem ter impasses com falsas promoções, ou até mesmo serem atingidos por problemas na hora de efetuar o pagamento do produto. Já para as empresas, aBlack Friday é um momento que gera aumento nas vendas, entretanto, algumas companhias reclamam que não há incentivo tributário para que haja um subsídio desse desconto. Dessa forma, se prejudicam, pois a margem de lucro está sempre no limite e o preço, consequentemente, não pode ser muito baixo. Mas, em geral, acabam vendendo mais, sendo considerado um movimento bom para a economia”, explica. 

Além disso, é importante que os consumidores entendam e fiquem por dentro de todos os seus direitos garantidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “Essa é uma Lei que traz a obrigação das empresas de criar um sistema de proteção das informações dos dados pessoais dos consumidores, que geram a possibilidade de identificação das pessoas. Isso é um direito à privacidade. Essa atenção deve ser redobrada em uma época como a Black Friday, onde o consumo de mercadorias tende a aumentar, ainda mais pela intenet. As empresas precisam se preparar para a data, e informar seus consumidores sobre a finalidade da coleta de dados pessoais e o mesmo precisa se atentar e decidir se quer ou não informar os seus dados. Caso contrário, isso pode gerar um problema judicial”, complementa o advogado.

Pensando nisso, o advogado lista os principais cuidados que se deve ter durante a Black Friday. Confira: 

1. O consumidor precisa se proteger

Antes de efetuar uma compra online, é importante que o consumidor verifique se o site oferece informações seguras, sobre a empresa, se tem certificado de segurança, se possui telefone para contato caso dê algum problema com a compra. Esses são direitos clássicos. “Em casos de problemas com os dados em compras online, a LGPD é aplicada da mesma forma do que em situações de compras presenciais: a empresa vai exigir somente os dados necessários para a realização da venda e demonstrar qual é a finalidade de uso desses dados. Tudo isso tem que ser mostrado na hora do preenchimento do cadastro, geralmente isso ocorre quando a pessoa aceita os “cookies” ou os termos de privacidade, ambos dando o seu aceite ou ok”, diz Rubens.

2. Concorrência desleal

Esse é um problema comum durante a Black Friday e é preciso que as pessoas comecem a prestar atenção. “O crime de concorrência desleal está previsto na lei de propriedade industrial, a partir do artigo 195. A lei diz que comete crime quem publica falsa informação do concorrente com o objetivo de obter vantagem, quem faz uso de expressões e propagandas com o intuito de induzir o consumidor ao erro. É necessário que as empresas se protejam para não perderem esse volume de vendas que é a Black Friday”, revela o especialista.

3. Cuidado com os preços

Segundo Rubens, a maior queixa dos consumidores está vinculada à política de preços. “É importante que o consumidor preste atenção na evolução dos preços durante as semanas que antecedem a Black Friday, para mapear se realmente é um desconto válido e atrativo. Muitas empresas vão subindo aos poucos os preços até chegar em um valor alto próximo da Black Friday e, quando a data realmente chega, voltam ao preço original - ou seja, nenhum desconto foi dado”, alerta.

4. Cuidado com o aumento na quantidade de vendas

Um dos principais problemas que as empresas sofrem na Black Friday são vinculados ao aumento da quantidade de vendas. “Quando se tem esse aumento, a empresa está exposta a mais riscos operacionais, portanto, é necessário criar um conjunto de regras para que haja uma proteção desde o momento da oferta, na campanha publicitária, até a política de trocas que vai se revelar no pós-venda. Crie um sistema de proteção, desde a formação até a entrega do produto, para não haver problemas jurídicos nesse sentido”, explica o especialista.

5. O produto não correspondeu às expectativas

Em relação à política de troca, é preciso verificar se o produto foi adquirido na internet, por meio de catálogos ou direto na loja. “Caso a compra tenha sido efetuada de forma online, o consumidor tem o direito do ‘arrependimento’ e o prazo é de sete dias para ele, sem justificativa, devolver o produto e receber o dinheiro de volta. Caso o cliente tenha comprado o produto na loja e verificado as especificações, segundo o Código de Defesa do Consumidor, ele não tem direito a troca, exceto se tiver algum defeito com o produto. Muitas empresas têm a política de troca interna, com prazos de 15 a 30 dias, em geral, porém por mera liberalidade da empresa, então é preciso verificar como agir em cada situação”, conclui Rubens Leite.

Sobre a RGL Advogados

A RGL Advogados é um escritório de advocacia focado em oferecer soluções jurídicas sólidas e multidisciplinares (full service) para o mercado corporativo nacional e internacional. O escritório atende clientes dos mais variados setores da economia, seja no campo da indústria, criando soluções para produtores de bens de consumo em geral, produtores de máquinas e equipamentos e para construtoras, como também, clientes do setor do comércio varejista, educação, tecnologia e instituições financeiras.